um bom diálogo necessita do silêncio. era o que dizia o meu avô para me ensinar acerca da necessidade de ouvir. note algo: existem poucas situações tão complicadas quanto um diálogo que envolve idéias controversas. costumo ser um bom observador, e é fácil ver que na maioria dos diálogos, enquanto você fala, a outra pessoas realmente não está analisando e refletindo as idéias proferidas. na verdade, ela está estruturando sua resposta sem ao menos ter ouvido o que foi dito. é um desastre tentar dialogar com pessoas assim. costumo não desperdiçar tempo na tentativa de diálogo com esse tipo de pessoas. e quando leio as Escrituras, vejo que não sou o único.
quando Cristo proferia suas parábolas, geralmente ele pronunciava uma conhecida frase “aqueles que têm ouvidos para ouvir, ouçam.” a frase poderia ser entendida como: se você realmente deseja ouvir e está em condições de fazê-lo, ouça. Cristo não “empurrava goela abaixo” o evangelho que viveu e apregoou. duas reflexões podem ser extraídas dessa frase, uma do cotidiano e outra teológica.
infelizmente um bom número de “religiosos” (é somente assim que consigo concebê-los, pois não cometeria o absurdo de chamá-los de cristãos) não consegue conceber um diálogo sobre compreensão bíblica como algo do campo das idéias, mas lidam como se fosse algo absolutamente passional.
seguramente isso está ligado a sua compreensão do que significa a fé cristã. ela não está ligada a uma “massa de pessoas” praticamente em “transe”, dado o “embalo” emocional da música e pregação de um carismático. a fé cristã descrita nas Escrituras é o resultado da compreensão e vivência do evangelho. se essa fé não fosse alvo de diálogo não poderia ser chamada de cristianismo, seria uma seita e o próprio Cristo teria errado em sua forma de apregoar o evangelho.
perceba que a descrição de fé feita por paulo no livro de hebreus está mais próxima da descrição do resultado da fé, não do seu conceito de proceder. pedro é quem melhor nos indica – em 1 Pe 3.15 – como deve ser esse proceder da fé. como cristãos devemos estar preparados para “dar razão de nossa fé”. pedro está falando de apologética; a possibilidade e necessidade de ser o evangelho posto em diálogo. os maiores apóstolos descritos nas Escrituras eram aqueles que dialogavam acerca do evangelho com pessoas que seguramente não compartilhavam de suas idéias. isso é descrito como pregar o evangelho.
você consegue ver o quanto o “meio religioso” e a relação entre religiosos e não religiosos mudaria o seu proceder se compreendesse essa questão?
shalom shabbat!
michael l.
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p.s. encare esse texto como uma conversa entre autor e leitor.
não sei quanto ao chat de hoje, aviso pelo twitter.
o texto próximo que publicarei será a continuação desse: ouça 2/2. 

4 comentários:
Eu conheço gente assim, fica em silêncio sem ouvir, está apenas esperando sua hora de falar. Pena não reconhecer a necessidade de ouvir.
Não vai ter chat hoje? Gostei do texto! Espero pelo segundo. Bom Sábado Amigo!
Esperei pelo chat... Imagino que deve ter sido corrido o seu dia, nem Shalom Shabbat teve no twitter. Adorei o texto, alguns precisam ler isso. Meu lindo, fica em paz...
dar razão da fé... gostei! quem dera a maioria dos religiosos seguissem isso! paz irmão, saudade das conversas teológicas...
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